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VOLTANDO DO PAHP DE NOVA FRIBURGO

 
Queridas pessoas

 

Podem imaginar como retornamos de outro mundo? O da guerra, de escombros, de lama, poeira, de pessoas enlutadas, algumas esperando que retirem seus mortos do chão, igrejas destruídas, bairros e ruas que não existem mais? Casas abertas em pleno centro da cidade, com paredes despencando por onde se vê a intimidade de quartos com bonecas, roupas, panelas?

Impressionantemente energizados e com força!

Como?

Muito trabalho tivemos... mas fomos MUITO cuidados pelos nossos terapeutas de plantão, pelos companheiros rotarianos que nos colocaram em seus colos a seus cuidados, pelo pessoal do hotel , que nos agradecia a cada momento, pelos motoristas das vans, eles próprios, na maioria, de luto..

As consequencias econômicas, de mercados, dos serviços... tudo em clima de pós-guerra... Mas o povo friburguense tem uma fibra admirável e ha bunners nas ruas que gritam: REAJE FRIBURGO!

Muito emocionantes os relatos de cada dia, nas cadeiras do auditório do hotel, ainda molhadas, com marcas de chuva nas pernas... saiamos de bumbum molhado...todas as noites ...daquele auditório que nos fazia chorar, repensar, ampliar, mas crer que nossas forcas de solidariedade são o combustível para o processo de luto, de reenfrentamento, de ajudar a reerguer um povo valente ,afetado em todos os níveis, por uma violência incrível.

A cada relato, onde no dia seguinte às intervenções,uma criança sorriu, uma mãe voltou a dormir, um pai de família pode chorar... imaginem como aplaudíamos as forcas de nossa rede!

No sábado, todos nos, de camisetas do PAHP, fomos a uma manifestação publica na praça, com o povo friburguense. Prefeitos e autoridades, padres, pastores, rabinos... sem exceção, tinham suas vozes embargadas a cada discurso. No momento final os familiares,que haviam perdido seus entes e amigos,tinham em mãos balões co m os nomes deles, os mortos encontrados ou não, e havia gente com vários balões nas mãos... tantos nomes...

Foi duro ver aqueles jovens bombeiros chorando por não terem podido fazer mais... As pessoas se abraçavam, davam as mãos, sem falas, pedindo forcas da rede. Sentíamo-nos respeitosamente, unidos aos pesares daquela gente, que e nossa gente.

Eu pensei diversas vezes, que eles são protagonistas de nossas mazelas.

O Programa de Ajuda Humanitaria Psicologica, uma equipe de 60, atendeu cerca de 300 pessoas, capacitamos 48 psicólogos da região na Universidade Candido Mendes, atendemos grupos de professores e educadores, tivemos cinco clubes de rotarys locais conosco, mais os novos voluntários que sabiam do PAHP e vinham...

Que lindo ver no PAHP gente capacitada em Santa Catariana, em Brasília, Goiânia e em Niterói. Uma super equipe!

E tantos rotarianos de tantos estados ali.

Houve muitos Debriefings, muitos EMDR individuais, pela gravidade do momento e do processo de enlutamento, especialmente de crianças, muitos órfãos... Muitos EMDR GRUPAIS e Sociodramas Construtivistas de Catástrofes... nossos métodos...

A coroação dos trabalhos aconteceu no domingo, ontem de manhã, numa praça em frente à igreja, com o SOCIODRAMA PUBLICO "RECONSTRUINDO AS FORCAS DE FRIBURGO... F&Z, DELPHOS, CAEP, INTERPSI e tantos rotarianos, com três diretores e cerca de vinte egos auxiliares... emocionante o povo... as crianças pedindo: queremos brincar, contar piadas e não brigar... queremos as casas..." um sr. alcoolizado que participava e dizia: “queremos forcas para salvar mais pessoas..."  uma manifestação etílica que revela,co-inconscientemente, pessoas que ainda sonham com um sonho impossível (?) de que ainda haja vivos nos escombros... Sabemos da irrealidade que é perder um parente, sem ter seu corpo para velar e despedir-se...  Foi um casal de idosos que forneceu a frase refrão escolhida sociometricamente por toda aquela gente, para nosso gritos de ação: FÉ, AMOR, OBRAS E ESPERANÇA! E a coreografia de mãos unidas em cada peito, depois no coração, com mãos fechadas significando trabalho, para o céu, na busca de esperança... Abraçando-nos com aquela gente, revigorávamos nossa fé nestes PAHPS... nossas obras e esperanças...

Se em cada cem pessoas, 20 ficassem traumatizadas e se dessas vinte, sessenta por cento delas terão evitado o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, como revelam os estudos, que gratificante esta missão de saúde pública!

Protagonistas das mazelas de todos nos este povo das serras do Rio de Janeiro.

Nas varias reuniões do Rotary, clubes locais, do Rio , de SP e de Santa Catarina... saímos de lá com missões de continuidade deste PAHP-RJ/11 e de uma capacitação nacional para julho, para tentarmos uma prevenção primária. Infelizmente os estudos de geólogos mostram que precisamos de prévias capacitações para eventos que poderão vir.

Em breve faremos a divulgação deste grande evento da ABRAPAH em São Paulo.

Certamente o Rotary Internacional, a partir do RC BUTANTÃ, BLUMENAU, REPÚBLICA, ALPHA VILLE e PERDIZES,  junto aos rotarys de Nova Friburgo e Rio de Janeiro, são os grandes viabilizadores destes trabalhos.

Servir... e o movimento recursivo de crescimento e amor de todos nos, rotarianos, educadores, médicos e psicólogos...

Compartilhando... porque sabemos que estiveram conosco, com suas preces, seus recados de forca e suas posições de companheiros, de colegas, amigos e familiares.

Temos um grupo de documentaristas (obrigada Carolina Paretto, Paulo Zampieri Jr, Julio Gabriolli e Manuel Fraga Netto) que nos acompanhou voluntariamente também. Faremos um trabalho de edição com eles e, em breve, pelo site da ABRAPAH , poderão acessar este documentário.

 

Obrigada a cada psi deste PAHP.

Obrigada companheiros.

Obrigada!

Obrigada!

 

Muito obrigada a todos.

 

Até breve.

 

Meu sempre carinho.

Ana Maria.

   


F&Z ASSESSORIA E DESENVOLVIMENTO EM EDUCAÇÃO E SAÚDE LTDA
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