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CATÁTROFES DA REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO E SAÚDE PSICOLÓGICA

Ana Maria Fonseca Zampieri, Ph D.

A saúde pública e todas as ONGs devem estar atentas à necessidade de se evitar que as pessoas danificadas pelas enchentes e deslizamentos na região Serrana do Rio de Janeiro, sofram dos denominados Transtorno de Estresse Pós-traumático - TEPT.
            Irwin Redlener (2011), diretor do National Center for Disaster Preparedness (Centro Nacional de Preparação para Desastres) da Columbia University, em Nova York , que também trabalhou com vítimas do Katrina, afirma que os governos têm a responsabilidade de oferecer apoio psicológico às vítimas. "Em desastres naturais como o que está acontecendo no Brasil é certo que as pessoas vão necessitar de apoio psicológico, se não ao longo dos próximos anos, pelo menos nos próximos meses", afirma. O centro que ele comanda na Columbia University foi criado após os ataques de 11 de setembro, com o objetivo de melhorar a capacidade do país de preparação, resposta e recuperação de desastres.
            Precisamos ter cuidados com as consequências emocionais dessas tragédias, como nos diz o Dr. Néstor Koldobsky (2007) estudioso da emergentologia.Tragédias com tantos lutos, como esta da região serrana do Rio de Janeiro, neste 2011, podem trazer sequelas psicofísicas e condutuais, cujos sintomas poderão influir no desenvolvimento da personalidade  e/ou enfermidades psíquicas para os próximos anos.
            O Transtorno de Estresse Pós Traumático - TEPT, na linguagem médica, apresenta diminuição na excreção de cortisol urinário, baixos níveis de cortisol plasmático e aumento da densidade de GR nos linfócitos periféricos, afirma o Dr. Koldobsky (2007).
            Os sobreviventes desta tragédia, sem distinção de gênero, idade, raça, classe social, religião, orientações sexuais, personalidades e tamanhos físicos, sofrerão seus efeitos, em diversos graus. Pode haver uma desativação dos mecanismos de auto-proteção, que atua no campo das emoções  e da consciência de perigo.
            Sabemos que os traumas podem afetar as pessoas danificadas por tragédias como estas, nos níveis: biológico, psicológico, social e espiritual.
            O que desperta  no nível individual e coletivo uma tragédia como esta da região serrana do Rio de Janeiro?
            As pessoas afetadas  estão num complexo de choque e surpresa com os fatos; têm aumentados seus sentidos de antecipação das defesas e de suas operações de enfrentamento. Podem se expressar com negação, como que auto anestesiadas e reações radicais do tipo "tudo ou nada".Pode haver ausência aparente de sentimentos, sentidos persistentes de raiva e de tristeza suspensa. São diversos mecanismos de sintomas complexos, difusos e persistentes por pelo menos seis semanas após o fato vivido.
            Há mudanças na visão de si mesmo e de sua auto-estima, de sua capacidade de agir em prol da defesa de seus entes e dependentes. Ficam vulneráveis a retraumatizações do entorno da catástrofe. Apresentam como uma espécie de “fratura” de coerência cognitivo-comportamental, com sentidos negativos do self, e passam a usar defesas psicológicas primitivas, com tendências a repetir atitudes impróprias, imaturas ou conflitivas.
            Podem ser invadidas por estados de desilusão aguda e perda de crença em Deus e na vida. Aqui é preciso, caso haja cronificação destes estados, por mais de seis semanas, ter cuidados com idéias suicidas.
            Cerca de 20% dos pacientes não conseguem superar o transtorno de estresse pós-traumático, apresentando sintomas como ansiedade e depressão até três anos após o evento. Nesses casos, terapia individual é o tratamento mais recomendado.
            Algumas pessoas, por supressão voluntária dos pensamentos ligados ao trauma,  podem apresentar uma espécie de transe  com estados de alucinação e dissociações de partes da consciência e da personalidade.
            Observamos também a presença de distúrbios corporais ou por somatização como: insônia, reações de sobressalto e agitação, tremores, náuseas, sensações de dificuldades respiratórias, entre outras.
            Devemos lembrar que, no entanto, essas reações são normais e, num primeiro momento, não devem ser identificadas como transtorno de estresse pós-traumático, ao menos nas primeiras seis semanas após o ocorrido.
            Estes complexos aspectos psicológicos das pessoas que vivem as catástrofes, direta ou indiretamente, afetam suas vidas pessoais, interrelacionais, laborais, sociais e, em alguns casos, determinando sérias discapacidades em alguns níveis de suas vidas ou, em outros, na totalidade de seus níveis de funcionamento.
            O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP, embasado nestes conhecimentos, pretende fazer uma prevenção que favoreça a saúde mental da população afetada.
            As pessoas com mais chances de desenvolver o TEPT,  são as que tiveram suas vidas ameaçadas e viram parentes morrer. Em seguida, vêm os que não correram risco de morte, mas perderam familiares e conhecidos. Em último, estão as pessoas que não sofreram perdas diretamente, mas estão chocadas com a tragédia.
            As reações ao desastre dependem da personalidade de cada pessoa; alguns são mais resistentes e não terão efeitos no longo prazo. Outros vão carregar o impacto psicológico por um longo período, e poderão sofrer de Transtorno de Estresse Pós-Traumático - TEPT.
            As  primeiras respostas de pessoas danificadas com  enchentes é tentar garantir a sobrevivência, e elas apenas reagem aos acontecimentos, sem tempo de processar as informações. Todavia, quando o perigo inicial passou, percebem a extensão do que aconteceu e aí pode ocorrer um período de  choque, confusão e desorientação. Isso pode ocorre também com profissionais que trabalham nas equipes de resgate.
           
Estudos e pesquisas mostram que cerca de 60% das vítimas de desastres se recuperam do trauma sozinhos, sem precisar de apoio psicológico. Para os 40% que desenvolvem o transtorno, a ação da comunidade, com o apoio do governo, é extremamente importante.
            Em desastres de larga escala como esse, terapias de grupo organizadas pela comunidade funcionam bem porque incentivam as pessoas a se abrir, dividir experiências. Quando verbalizando os sentimentos podemos lidar mais facilmente com eles. Os protocolos que o PAHP utiliza buscam em primeira instância, essa meta: o compartilhar de experiências e a busca grupal de uma espécie de "empoderamento coletivo" para fortalecimento interno das pessoas, para suas sobrevidas e suas recuperações emocionais. Tecnicamente chamamos a isto de resiliência fortalecida, ou seja, a possibilidade de crescimento nas crises humanas.
            Um dos métodos usados no PAHP é o chamado SOCIODRAMA CONSTRUTIVISTA DA RECONSTRUÇÂO, onde a arte do teatro psicológico e terapêutico pode ser um meio mais aceitável de lidar com a dor, o medo e o luto.
            Estamos no momento de garantir abrigo, comida, água e o mínimo de conforto possível. Após a chamada fase de “lua de mel” de ajuda aos danificados, pode vir a fase do abandono, quando as pessoas terão que tomar por conta própria medidas como procurar por comida e por abrigo. Sentem-se isoladas, abandonadas, assustadas.
            O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP têm especial atenção com as crianças, que geralmente sofrem mais o impacto psicológico de um evento como as enchentes das serras do Rio de Janeiro. Elas são particularmente vulneráveis, podem ficar muito quietas, não falar sobre o assunto ou regredir para fases de ter medo de dormir sozinhas, chorarem muito , ficarem irritadiças e perder o controle dos esfíncteres, que já tinham desenvolvido anteriormente, entre outros.

Conhecendo o trabalho do PAHP

O PAHP desenvolveu e adaptou protocolos de EMDR, criados por Jarero e Artigas (México, 2006) especiais para atendimentos individuais e coletivos com crianças de todas as idades e bebês atendidos juntamente com mães ou cuidadores.
            Uma equipe de psicólogos treinados em ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS e mais cinco empresários e profissionais voluntários de São Paulo, Brasília, Blumenau, Maranhão, Goiânia e Rio de Janeiro, estiveram em várias regiões do Brasil para atender as vítimas de catástrofes naturais ocorridas. A iniciativa é fruto de parceiros entre as propostas técnicas e cientificas da F&Z Assessoria e Desenvolvimento em Educação e Saúde de São Paulo, toda a organização logística do Rotary Internacional de Butantã, São Paulo, e de profissionais de comunicação do grupo chamado Comunicadores Sem Fronteiras – CSF.
            Este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP às vitimas de catástrofes, tem recebido parcerias da FIESC, do SESI e da FAB, além das Secretarias de Saúde de Guaraciaba, de Blumenau, de Ilhota e Gaspar em Santa Catarina e de São Luiz, Rosário, Trizidela e Pedreiras no Maranhão. Também têm parcerias da Universidade Federal Fluminense, do Grupo Tendas, do Delphos do Rio de Janeiro e da Associação de Terapia Familiar do Rio de Janeiro e da FEBRAP. Este é o oitavo Programa de Ajuda Humanitária Psicológica  - PAHP que este grupo desenvolve desde 2008. Cerca de 6.600 pessoas já foram favorecidas com este trabalho.
            O Programa de Ajuda Humanitária Psicológica - PAHP, coordenado pela Prof.ª Dra. Ana Maria Fonseca Zampieri no que tange ao corpo científico, e pelo empresário e rotariano Sr. Reinaldo Franco. O PAHP tem em seu grupo profissional, psicólogos, médicos e especialistas, mestres, doutores e pós-doutores, com formação em Sociodrama Construtivista de Reconstrução em Catástrofes, Intervenção em Crises, Debriefing, Manual Grupal Integrativo, EMDR e Terapia Familiar Sistêmica. Juntos atendem grupos específicos de crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de bombeiros, militares e médicos do SAMU. As intervenções, com planejamento estratégico piramidal, começam com atendimentos em grupos pequenos, que favorecem a triagem para as pessoas mais afetadas, que receberão atendimentos individuais. Estas ESTRATÉGIAS GRUPAIS EM CATÁSTROFES PARA PREVENÇÃO DE ESTRESSES PÓS-TRAUMÁTICOS foram chamadas pela mídia de Blumenau, em 2009 de: ABRIGOS PARA ALMAS e inclui o treinamento de 60 horas, para psicólogos, da rede pública e do grupo de voluntariado rotariano, para a manutenção dos atendimentos à população. Já foram capacitados 200 profissionais em Santa Catarina , Maranhão, Niterói e São Paulo.
            Haverá psicoeducação, com folhetos de primeiros socorros emocionais distribuídos na mídia, em escolas, e nos CRAS das regiões afetadas.
           Os interessados em mais detalhes sobre este Programa de Ajuda Humanitária Psicológica – PAHP á região serrana do Rio de Janeiro, poderão entrar em contato pelo e-mail: cons_amfz@hotmail.com.

   


F&Z ASSESSORIA E DESENVOLVIMENTO EM EDUCAÇÃO E SAÚDE LTDA
RUA JOSÉ JANARELLI, 199 SÃO PAULO - MORUMBI
anamfzampieri@uol.com.br                55-11-2165-8118/ 3721-2890            www.terapiafamiliar.med.br


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